quarta-feira, 9 de junho de 2010

somos jotas

Hoje era suposto termos começado o dia com a habitual geografia descontrolada, cheia de cartas, gargalhadas, powerpoints e saídas!
Mas não, fizeram questão de nos pôr de férias porque um não sei quê teve a brilhante ideia de colocar adolescentes cheios de dilemas a fazer exames a nível nacional! Eu sei bem que gesto é que lhe fazia.
E realmente não começámos com a habitual geografia. Tenho a certeza que a maior parte começou esta quarta-feira embrulhada nos lençóis com a típica chuva que se faz sentir sempre em junho (vá, concordem comigo). Admitam que preferiam estar naquele contentor, por favor!
Então lágrima, estás a espreitar? Estás armada em quê? Não era suposto vires para fora, não hoje! Prometi a mim mesma ser forte e conter-te aí! Vá recua! Mas espera, o tempo quer recuar contigo. Ele manda dizer que quer depressinha voltar em cinco minutos a Setembro para aproveitar todo aquele frenesim que ia das oito e meia até à uma e tal e por vezes até às cinco menos vinte e cinco. Espera aí amiga, ele também quer que eu recue com vocês! Estou pronta para entrar na máquina do tempo, de pijama e tudo.
Ei, onde é que estamos? Ah, é um desses frenesins! Ao meu lado esquerdo está o número 8 que tanta coisa aturou este ano, sempre agarrado ao telemóvel. Beijinho de bom dia, e aqui estou eu para te emprestar a borracha. À minha frente o número 1. Lá está ele a fazer filtros e a fazer smiles nas minhas folhas! Faz mais, vá lá! Ao lado dele o número 2. 'oh cabra, cala-te', quantas vezes é que te disse isto? Mil vezes? Oh amiga, isso é pouco! Olho para trás e estão os números 15 e 16. Não quero falar no 15. Ai 16, estás a dar-me a mão e a sorrir-me maravilhosamente! Sei bem que me vais tirar os cabelos das costas. Do lado direito está o 10 (também não falo) e depois o 11. Não, não cheiras mal! Em frente ao quadro está o número 4 de quem não me vou referir e o número 5. Apontas como sempre tudinho nessa beleza irradiante de deusa. Ao teu lado direito o número 6 que também não interessa e depois na ponta o 7 que como sempre está de lado sem saber se a atenção se apoderou dele ou não. Não se deve ter apoderado, está batendo papo com o meu número da sorte: o 13. Aí está mais um olhar ternurento e um tímido sorriso. Mais uma borracha lançada! Oh 13, chega-te a mim! Pára lá de falar com 12. Ela não diz nada de jeito, ou melhor, ela fala? Na mesa de trás os desaparecidos 14 e 19 e mais atrás o 17 e o 20. A pequenina 17, por quem tenho um enorme carinho, que está a implicar com a revolucionária 20 das rastas, como sempre! Discutam para aí mongas. Ao lado esquerdo, o discreto número 18 que partilha comigo a enorme paixão pelos Pearl Jam e por toda uma geração do melhor grunge do mundo. Oh rapariga, eu, tu e um mp3. Mais ao lado o meu puto 22. É claro que está a dar os maiores erros do mundo e a ser a criança total deste contentor 11. Ah já sei, estás a tentar escavar os segredos do teu amigo 24! Aqueles pornográficos segredos que deve estar a pesquisar naquele portátil tão meticuloso. Mas oh 24, não é assim que a comes, muito menos que descobres o sócrates! Atrás destes cromos, o fedorento número 21. Peço desculpa, foi a palavra mais simpática que consegui arranjar. E em último, lá reparo no 23 que já vai a sair do contentor, apoiada em duas contínuas, com um pacote de açúcar na mão. Sem dúvida que recebe o óscar de melhor actriz deste ano.
Já estou no quarto outra vez? Sai lá lágrima, e tu também oh tempo cheio de memórias! Será que não dá para termos um próximo ano assim? Só peço assim!
Lembrei-me: vou mandar msg! 'Meninos, falei agora com o responsável por isto tudo e afinal amanhã temos português e o resto das disciplinas. Levem lá a nossa força! ATÉ AMANHÃ'

7 comentários:

  1. tou em lágrimas
    tou em arrepios
    tou em n sei o quê
    tou em vcs todos crl*

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  2. Porque é que os nossos sentimentos são sempre iguais (só mudam as pessoas envolvidas)?
    As salsichas enroladas nas couves podem estar mais próximas do que pensas (L)

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  3. é fdd quando temos que nos apoderar destas saudades durante 3 meses!
    lindo*

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  4. um nó na garganta e mais um quanto turbilhão de emoções, só me tranquiliza o facto de já não ser um amargo "adeus" mas sim um "até para o ano" afogado em saudades

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  5. Dália, adorei! Vou sentir falta daquelas vezes em que, quando olhava para trás, lá estavas sempre tu a mandar um enorme sorriso!! :D Mas tenho esperança que esses bons velhos tempos voltem em Setembro.

    ass: número 5

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