segunda-feira, 31 de outubro de 2016

que nem tordos

Um a um vou afastando todos. De mansinho.
Liga-me e diz que está a caminho. Berro, esperneio e imploro que não venha. Digo que não suporto a ideia de ele me ver assim, sem mim e sem aquilo que sou. Responde que não sabe mais o que fazer. Do outro lado sei que ele chora e implora baixinho para que eu o deixe percorrer 300km para me acalmar. Berro, esperneio e imploro que não venha. Eu não vou desistir, ouvi eu. Acaba por ficar por lá, não sei se com medo da minha reacção ou se com medo da dele. Eu sei que ele não vai desistir, mas eu já desisti.

domingo, 18 de setembro de 2016

existe um esquizofrénico na minha rua que tem dálias no quintal

Desde que moro nesta casa que reparo num homem alto, cabelo descuidado, barba também ela de aspeto feio, deambulando na rua com o seu robe cinza a esconder um pijama gasto e sempre de cigarro na mão. Anda de um lado para o outro olhando o vazio e balbuciando, entre dentes, palavras que nunca entendi. Hoje, por mero acaso (ou não), olho para o seu quintal e encontro várias dálias cor-de-laranja. Sorri e pensei no quanto a vida é irónica.
Se um esquizofrénico tem dálias plantadas no seu quintal, porque é que uma dália não pode ter esquizofrénicos plantados no seu cérebro?

segunda-feira, 12 de setembro de 2016

canção de outono

Estou perdida no meio dos meus pensamentos, no meio dos meus defeitos e das minhas virtudes. Não sei falar, não sei escutar, não sei dançar. Dançar com os sorrisos que me envolvem, dançar com as palavras que me chamam. Sou medo e sou esperança. Mais que isso, sou rutura, ausência e um espelho sem reflexo. Sou eles e elas e esqueço-me de existir para as pessoas.
Tenho amor.
Dele.
Dos meus pais.
Da minha irmã.
Delas.
Se o sei aceitar?
Não.
Porquê?
Porque tenho amor de todos.
Menos de mim.

sábado, 15 de novembro de 2014

Amo-te Por Todas as Razões e Mais Uma

Por todas as razões e mais uma. Esta é a resposta que costumo dar-te quando me perguntas por que razão te amo. Porque nunca existe apenas uma razão para amar alguém. Porque não pode haver nem há só uma razão para te amar. Amo-te porque me fascinas e porque me libertas e porque fazes sentir-me bem. E porque me surpreendes e porque me sufocas e porque enches a minha alma de mar e o meu espírito de sol e o meu corpo de fadiga. E porque me confundes e porque me enfureces e porque me iluminas e porque me deslumbras. Amo-te porque quero amar-te e porque tenho necessidade de te amar e porque amar-te é uma aventura. Amo-te porque sim mas também porque não e, quem sabe, porque talvez. E por todas as razões que sei e pelas que não sei e por aquelas que nunca virei a conhecer. E porque te conheço e porque me conheço. E porque te adivinho. Estas são todas as razões. Mas há mais uma: porque não pode existir outra como tu.

Joaquim Pessoa, in 'Ano Comum'

(hoje leram este poema e imaginei-me nestas palavras. ao teu ouvido. a saborearmos o nosso silêncio. imaginei-te em mim. ao meu ouvido. a saborearmos o nosso amor.)

sexta-feira, 17 de outubro de 2014

Tiago, canta para nós

"Só nós dois é que sabemos
O quanto nos queremos bem
Só nós dois é que sabemos
Só nós dois e mais ninguém
Só nós dois avaliamos
Este amor forte e profundo
Quando o amor acontece
Não pede licença ao mundo
Anda, abraça-me, beija-me
Encosta o teu peito ao meu
Esquece o que vai na rua
Vem ser minha eu serei teu
Que falem não nos interessa
O mundo não nos importa
O nosso mundo começa
Dentro da nossa porta
Só nós dois é compreendemos
O calor dos nossos beijos
Só nós dois é que sofremos
As torturas e os desejos
Vamos viver o presente
Tal qual a vida nos dá
O que reserva o futuro
Só deus sabe o que será
Anda, abraça-me... beija-me
Encosta o teu peito ao meu
Esquece o que vai na rua
Vem ser minha eu serei teu
Que falem não nos interessa
O mundo não nos importa
O nosso mundo começa
Dentro da nossa porta."

quinta-feira, 25 de setembro de 2014

"Não foram precisos nós, entre nós havia um laço"

Deixaste a t-shirt cá no quarto.
O teu cheiro agarrou-se às paredes e ao meu sentido quando cá entro à procura da tua figura à minha espera, que espera sempre e diz que esperará para sempre. Sento-me na cadeira e sugo todas as memórias das promessas que aqui fizemos e vamos fazendo, enquanto me assolam todas as sensações do teu sexo dentro de mim. Antes faziamos sexo, agora fazemos amor, E tive a certeza disso ao olhar-te nos olhos este fim-de-semana, enquanto me dominavas todas as fraquezas e me suplantavas com toda a tua respiração ao meu ouvido à espera dos meus gemidos quentes. 
Deixaste a t-shirt cá no quarto e a certeza que queremos construir uma coisa bonita, seja ela o que for. Porque eu sou tua e tu és meu.

sábado, 13 de setembro de 2014